...embora haja tanto desencontro pela vida!

(Vinicius de Moraes)
Quantos encontros você tem por dia. Com quantos pessoas você tem a oportunidade de se relacionar? Quantas você ignora? E quantas você nunca vai ver (esssas também são importantes)? E quantas você iria encontrar mas por algum motivo não conseguiu?
Venho aqui para falar dos meus encontros. Não darei conta de falar de todos. Por isso vou me ocupar de 3 em especial.
Passado:
Oficina da Traço Cia de Teatro em Blumenau. Bom esse encontro veio a partir de vários outros. O primeiro foi em um Festival de Teatro universitário de Blumenau, quando vi que teria uma apresentação de "As três irmãs" de Anton Tchékhov, achei que não seria tão legal, pois um texto clássico em um festival universitário....é muito arriscado!
Que bela surpresa quando me deparo com uma boa adaptação do texto, guiada pela linguagem do palhaço e do bufão, fazendo a platéia chorar e se sentir acolhida como um bebê no colo. Nunca vou esquecer da Irina dizendo "me joga fora" ou descobrindo o segredo (sentido) da existência, ou ainda movimentando o bracinho numa expressão de puxa vida. Ou de Maria com seu olhar ora repreensivo, ora muitissimo sensual, e com seus cotocos. Ou ainda Sônia com aquele olhar fora da órbita do rosto, com a atitude de irmã mais velha e um belo quadril.
O tempo passou, assisti a mesma peça ainda uma vez em Itajaí, e dessa vez fiz parte da cena como o irmão das "Três irmãs". Bom outros encontros virtuais (perfil de orkut, blogue etc...)foram feitos, até o ano passado, quando começou um direto através de um e-mail que recebi de uma das meninas do grupo. A partir daí nos encontramos algumas vezes até que se efetivou, a vinda da traço para Blumenau. O que possibilitou o encontro de mais 17 pessoas que vêem no palhaço uma maneira de se encontrar.
Um fim de semana intenso, onde brincamos, jogamos, abrimos o olhar, nos vestimos para nos revelar. Eu novamente encontro comigo mesmo. Cheguei a me ver nos olhos de minha colega de oficina (Géssica). No final de cada período de trabalho um presente da ilha, mais precisamente da Lagoa da Conceição, La-go-a da Conceição. http://www.youtube.com/watch?v=erg2hLUvL-o
Depois na finalização, uma bela reflexão do amigo Paulo, me faz aqui indagar sobre:
O que fazemos com o palhaço nos instantes cotidianos? Aprisionamos ele num canto escuro e frio da nossa mente para só depois numa outra oficina o liberar, ou fingir que o liberamos atrás da luz ofuscante dos refletores. E quando não tenho o nariz e só tenho esse olhar que carrego comigo? Direciono esse olhar para os outros a fim de encontrar e me fazer presente e de presente. Ou deixo ele como uma garrafa atirada ao mar a qual talvez nunca encontre um leitor que o abra. O que eu quero pra mim? Que encontro eu quero?
Futuro:
ABAETETUBA
No final de Abril, mais precisamente entre 23 e 25. A Cia Trampolino, o L.E.G.U.M.E. pALHAÇOS e os Amadores de teatro irão se presentear e presentar seus amigos com o Abaetetuba. Um encontro no espaço, no tempo e no devaneio com gente boa reunida.
mais informações em breve por aqui ou no blogue: http://www.sopadetrupes.blogspot.com/
Presente:
Você agora que aqui lê esse texto , encontra-se com um fragmento de mim mesmo. Do qual eu não tenho controle absoluto e talvez nem tenha consciência... Talvez tudo isso seja insignificante talvez seja mel para nossas bocas que aspiram tanto gás carbônico e repouso para nossos olhos que vêem (ou não) a miséria e a glória de ser quem se é.
Bom, diante de uma cultura e de uma sociedade que admite pessoas dormirem na rua ao lado de grandes casarões vazios, ou pessoas passarem fome quando os supermercados e restaurantes estão socados de comida a ponto de jogá-la fora, ou pessoas ficarem doentes/morrerem para o poder da indústria farmacêutica/bélica se perpetuar. O que nos resta?
Nos resta o encontro e os desencontros da vida.
Nos resta é um ombro amigo para afrouxar o nó na garganta que insiste em apertar, um almoço com um casal gente fina, um beijo de uma mulher (ou homem pra quem gosta), o grito de RESPEITO e DIGNIDADE, uma tarde sozinho para encontrar-se consigo mesmo e vadiar um pouco e até esquecer esse papo de encontro.
Nos resta a liberdade das pequenas sutilezas da vida.
Nos resta o amor em qualquer formato, minimo, máximo, até mesmo hermético. Mas principalmemte simples tão simples que esse texto nunca dará conta dessa simplicidade.
EU TE AMO

4 comentários:
ana as pessoas não estão conseguindo comentar
no entanto, eu consegui...hehehe
VIXI!!!
Adorei esse post. Charles e Ana, Ana e Charles, vocês escrevem muito bem. Gosto muitíssimo mesmo. Abraços para a Ana e para o Charles. Ah e também para o Charles e para a Ana hehehehehehehe
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